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Branding pessoal

A tua marca não precisa de bajulação

Há uma confusão que persiste sobre o que faz uma consultora de branding. Não estou aqui para te dizer que já és incrível, que só faltava alguém para “te dar voz”. Também não estou aqui para desconstruir tudo o que construíste em nome de uma honestidade que, na prática, é só rudeza mal disfarçada. O trabalho é outro: reconhecer o que já funciona em ti e apontar o ruído que está a abafá-lo.

O elogio fácil não é o meu trabalho

É tentador — e comercialmente confortável — dizer a alguém que a sua marca pessoal está ótima assim, que só precisa de “mais visibilidade”. É o que a maioria quer ouvir. Mas se eu concordar com tudo o que já fazes, não estou a fazer consultoria, estou a fazer companhia. E companhia paga-se de outra forma.

A bajulação tem um efeito perverso: sossega no imediato e custa mais tarde. Quando alguém investe tempo e dinheiro a “melhorar” uma marca sem que nada mude de facto, o problema só fica adiado — e normalmente regressa mais caro, mais confuso, mais difícil de destrinçar.

A brutalidade também não é honestidade

Do outro lado há quem confunda sinceridade com desmontar alguém em público. Dizer a uma pessoa que “isto não presta”, sem contexto, sem construção, não é coragem — é preguiça disfarçada de rigor. Criticar dói menos do que refletir; por isso é tão popular.

O que procuro é o meio-termo raramente ocupado: dizer com precisão o que não está a funcionar, sem transformar isso num julgamento sobre quem a pessoa é. Uma coisa é “esta mensagem está a confundir quem te lê”. Outra, muito diferente, é “tu não sabes comunicar”. A primeira frase abre trabalho. A segunda fecha portas.

Exemplos concretos de ruído, não de defeito

Uma mensagem forte enterrada debaixo de explicações a mais é um clássico. A pessoa tem uma ideia clara, mas sente que precisa de justificá-la três vezes antes de a dizer — e no fim ninguém retém nada, porque a frase que interessava ficou escondida no meio de parênteses.

Outro caso comum: autenticidade que, vista de fora, parece incoerência. Alguém que muda de tom consoante o contexto — mais formal aqui, mais brincalhão ali — porque é genuinamente assim, mas que nunca explicou o fio condutor entre essas versões. Não é falta de verdade; é falta de costura.

Há também a imagem antiga que já não corresponde a quem a pessoa é hoje — uma bio, um portefólio, um discurso que descreve alguém de há três anos. E há a tentativa de agradar a todos ao mesmo tempo, que dilui tudo até não sobrar nada com que ninguém se identifique de verdade.

O que fica depois disto

Na BRNDNG.me, o meu trabalho não é inventar uma persona nem confirmar a que já existe por hábito. É olhar para o que está ali, muitas vezes escondido debaixo de camadas de cautela, e dizer: isto é a tua marca, o resto é ruído.

People-pleasing is no brand. Uma marca pessoal que só quer agradar não diz nada — e uma consultora que só quer agradar também não serve para nada. O objetivo nunca foi ser simpática. Foi ser útil. Stay true. Be understood.